Bullying

COMO PODEMOS AJUDAR?


Saúde Juvenil

Bullying



O bullying acontece sempre que uma pessoa ou um grupo de pessoas faz uso de palavras ou comportamentos para causar medo e mal-estar no outro que se sente incapaz de se defender. Os comportamentos de bullying podem ser de agressão física, verbal ou relacional (quando se espalham rumores ou exclusão/isolamento).

 

Bullying versus troça inofensiva

  • Intencional: feito para intimidar versus brincadeira: feito para divertir;

  • Repetido versus esporádico;

  • Incessante, agravando-se no tempo versus parará, se lhe for pedido;

  • Provoca medo, angústia e sensação de perda de controlo versus a pessoa em causa sente-se descontraída.


Bullying versus zanga

  • Exercício de poder no outro versus surge de uma divergência ou discussão;

  • Impossibilidade de defesa versus possibilidade de contra-argumentar;

  • Envolve ameaças versus expressam-se pontos de vista;

  • Indesejado por uma das partes versus a divergência é mantida por ambas as partes.

 

bullying

“O bullying pode acontecer em diversos contextos: escolar/universitário, familiar, bairro em que se vive ou até nas redes sociais que se utilizam.” Existem pelo menos quatro tipos de bullying:

  • Bullying físico: O bullying físico acontece quando alguém usa o corpo ou objetos para magoar outra pessoa de forma intencional e repetida. Isto inclui dar empurrões, murros ou pontapés, bater, cuspir, puxar cabelo, morder, roubar ou estragar os pertences de alguém. Este comportamento cria medo e dor na vítima e pode deixar marcas físicas e emocionais. O que diferencia o bullying de outros atos de violência é que, neste caso, o agressor procura controlar ou ferir a outra pessoa repetidamente e normalmente existe um desequilíbrio de força ou de poder entre ambas as partes.

  • Bullying verbal: O bullying verbal usa palavras para magoar, humilhar ou intimidar alguém. Pode acontecer presencialmente ou online e inclui insultos, ridicularizações constantes, chamar nomes ofensivos, fazer ameaças, comentários depreciativos sobre a aparência ou o que a pessoa faz, e troçar de forma repetida. Mesmo que não deixe marcas no corpo, o bullying verbal afeta profundamente a autoestima, a confiança e o bem‑estar emocional de quem está a ser alvo.

  • Bullying relacional/social: O bullying relacional/social não envolve agressões físicas, mas procura prejudicar as relações sociais de alguém. Isto acontece quando uma pessoa é excluída de grupos, ignorada de propósito, deixada de fora de conversas ou de atividades, ou quando se espalham rumores e boatos sobre ela, com a intenção de a humilhar ou isolá‑la do grupo. Mesmo sem contacto físico ou palavras diretamente ofensivas, este tipo de bullying pode ser muito doloroso porque ataca a sensação de pertença e apoio social, que é fundamental para o bem‑estar dos jovens.

  •      Cyberbullying: O cyberbullying é um tipo de bullying em que alguém é assediado, ameaçado ou humilhado, repetitivamente, e de forma intencional, através do uso das tecnologias ou, mais comummente, das redes sociais. Pode ser considerado cyberbullying: fazer um post a insultar alguém, criar um perfil falso em nome de outra pessoa para lançar boatos, publicar comentários insultuosos nos posts de alguém. Este é um tipo de bullying difícil de controlar, pois muitas das vezes é anónimo, o que não permite saber quem enviou determinadas mensagens ou publicou certos posts.

 

Sinais de alerta que alguém está a ser vítima de bullying:

  • Lesões físicas recorrentes e sem explicação;

  • Pertences destruídos ou em falta, como roupa e livros;

  • Dores de barriga e de cabeça frequentes ou fingir estar doente;

  • Dificuldades em dormir ou pesadelos recorrentes;

  • Declínio do rendimento escolar e recusa em ir para a escola;

  • Diminuição da autoestima;

  • Comportamentos de risco como fugir de casa ou auto-lesão;

  • Falar sobre o suicídio.

  

Consequências de ser vítima de bullying:

  • Mal-estar, tristeza, baixa autoestima e alterações de humor;

  • Isolamento e comportamentos depressivos, de auto-lesão ou mesmo suicídio;

  • Dificuldades de atenção/concentração e de integração no grupo de pares;

  • Praticar bullying (repete o que lhe fizeram a si);

  • Ansiedade e sentimento de solidão;

  • Perda de interesse em atividades das quais costumava gostar.

 

Estou a ser vítima de bullying – e agora?

É provável que te sintas desamparado/a, humilhado/a e isolado/a. Lembra-te que a culpa não é tua e que não estás sozinho/a. Podes sentir-te tentado/a a faltar à escola, afastares-te dos/das teus/tuas amigos/as ou evitares situações em que podes encontrar a pessoa que te ameaça/violenta. No entanto, privares-te de momentos e atividades por essa razão, pode não ser a melhor opção.

Aqui ficam algumas dicas para lidar com momentos de bullying. Nem todas servem para todas as situações e pessoas, por isso, deves escolher a que resulta melhor no caso em questão:

  • Falar com amigos/as sobre o assunto e evitar o isolamento

Ter amigos/as e pertencer a um grupo protege-nos e facilita que os problemas de um se tornem menores porque são assuntos de todos.

  • Procurar outras pessoas que estejam a passar pelo mesmo

Saber como outros resolveram as dificuldades que temos, pode dar-nos pistas para sabermos e experimentarmos formas alternativas de reagir e responder ao bullying.

  • Escrever num papel o que tem acontecido, o que estás a sentir e o que podes fazer, mesmo que não mostres a ninguém

Escrever ajuda a estruturar as ideias e, nesse sentido, ajuda-nos a pensar em alternativas e a praticar sentimentos de auto-confiança; por outro lado pode ser útil para quando quisermos expressar o nosso ponto de vista a outras pessoas.

  • Adotar percursos variados e diferentes do habitual

Pode ser útil ter rotinas variadas que dificultem a vida a quem exerce bullying, de forma a tornar menos previsíveis os nossos locais, passos ou atos.

  • Respirar

Parar e não fazer nada é, muitas vezes, uma forma que desarma o outro e que contraria uma possível escalada de agressividade, pelo que pode ser útil não responder; por outro lado, a respiração pode ajudar de três formas. A primeira é fisiológica, já que o estado de ansiedade estimula áreas do cérebro que nos provocam a hiperventilação, ou seja, inalamos o ar com mais rapidez; se fizermos um esforço consciente para mudar isso ajuda-nos a ficarmos mais calmos. A segunda está relacionada com o facto de trazermos à nossa atenção o momento presente quando tornamos a nossa respiração consciente. A última tem a ver com o facto de ser possível perceber que estamos ansiosos pela respiração, porque o fazemos sobretudo com a parte de cima do corpo e de forma rápida e não profunda.

  • Ignorar

bullying é geralmente consequência de uma vivência emocional desadaptativa, geradora de sofrimento. Ter este facto em conta facilita que ignoremos quem nos agride, passando a encarar as investidas como um sintoma e não como ataques pessoais.

  • Reportar

Contar a um/a professor/a, a um/a técnico/a da escola pode ajudar a lidar com a situação e com os medos e as frustrações que dela advém.

 

Recorrer ao Gabinete de Saúde Juvenil para obter ajuda de profissionais especializados.

 

Um/a colega meu/minha está a ser vítima de bullying - e agora?

Quando testemunhas alguém a praticar bullying contra outra pessoa, é possível (e desejável) assumires um papel ativo. Podes, de facto, fazer várias coisas:

  • Comunicar a situação a um adulto responsável: podes estar a proteger o/a teu/tua colega e a evitar que os comportamentos se repitam;

  • Oferecer a tua amizade: passarem tempos juntos/as pode diminuir a probabilidade de investidas, porque evitas que o teu/tua colega esteja sozinho/a - diminuis a probabilidade de isolamento e, simultaneamente, diminuis os seus sentimentos de solidão;

  • Intervir no momento em que o bullying está a acontecer: pode ajudar muito tirar o/a colega da situação, levando/a contigo para outro sítio, sendo que ainda é mais eficaz se a intervenção for feita em grupo.

Recorrer ao Gabinete de Saúde Juvenil para obter ajuda de profissionais especializados.

 

Estou a praticar Bullying - e agora?

Perceber que estás a magoar alguém pode ser desconfortável, mas é um sinal de maturidade. O mais importante é parar, refletir sobre o impacto das tuas atitudes e assumir responsabilidade. Pedir desculpa, quando é seguro e apropriado, pode ser um passo importante, mas mudar o comportamento é ainda mais essencial.

Procurar ajuda não é sinal de fraqueza. Falar com um adulto de confiança — como um professor, psicólogo, assistente social ou familiar — pode ajudar a entender o que está por trás desse comportamento e a encontrar formas mais saudáveis de lidar com emoções, conflitos e relações. Se te sentes constantemente zangado/a, impulsivo/a ou pressionado/a agir assim, o apoio profissional pode fazer a diferença.

Mudar é possível. Aprender a respeitar limites, desenvolver empatia e pedir ajuda quando algo não está bem são passos fundamentais para desenvolveres relações mais saudáveis — contigo e com os outros.

Podes recorrer ao Gabinete de Saúde Juvenil para obter ajuda de profissionais especializados.

 

Referências:

Escola sem bullying, escola sem violência. Prevenção e combate ao bullying, ciberbullying e a outras formas de violência. https://www.sembullyingsemviolencia.edu.gov.pt/?page_id=25026

Ordem dos Psicólogos Portugueses. Vamos falar sobre o Bullying. https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_vamosfalarsobrebullying_documento.pdf

Ordem dos Psicólogos Portugueses. COVID-19. Recomendações para jovens: cyberbullying e segurança online. https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/covid_19_cyberbullying_jovens.pdf

Saúde Bemestar. Bullying. https://www.saudebemestar.pt/pt/blog/psicologia/bullying/

Stopbullying.gov. Effects of bullying. https://www.stopbullying.gov/bullying/effects

Stopbullying.gov. Warning signs for bullying. https://www.stopbullying.gov/bullying/warning-signs


Atualizado em: 16/02/2026

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